Nacional
Toy

A entrevista completa

Sex, 28/05/2010 - 15:52

O AVC não deixou sequelas. Toy interpretou-o como um aviso e diz que até “teve sorte”. Está quatro quilos mais magro, em dieta e medicação rigorosas.

Quando teve o AVC, o Toy e a Daniela falaram sobre as causas e apontaram o caso do suposto filho (Gabriel, filho de uma cabeleireira do Porto) como uma delas!
Não foi só essa, foi mais uma mistura de coisas, mas há um dia, em que uma gota faz o copo transbordar. Andei com o sistema nervoso todo alterado, fiz muitas viagens - que também não são boas para a circulação do sangue. E quando uma pessoa se vê em desespero, é comum vingar-se nos almoços com os amigos, exagerar no queijo, na manteiga, no vinho...

Aparentemente não ficou com sequelas.
Nada, felizmente fui muito bem tratado no hospital de Setúbal, o socorro chegou rápido. Quero dizer a toda a gente que tenho o coração de um jovem de vinte anos, o que me aconteceu foi cerebral, uma veia entupiu-se no cérebro e isso tem a ver com a tensão alta, o colesterol alto, com o sistema nervoso. Uma veia interior rompeu, o sangue tomou uma direcção fora do normal e atingiu o nervo óptico, que ficou afectada na altura, mas já passou. Felizmente.

Já era hipertenso, tinha colestrol elevado e devia ser medicado.
Sim, mas há 8-9 meses, por autorecreação - porque nunca gostei de tomar medicamentos - deixei de os tomar. E não o devia ter feito. Quando o médico me disse que os comprimidos eram para tomar até ao fim da vida, eram mesmo. Agora cumpro tudo rigorosamente. Estou a tomar para a tensão, para o colesterol e para diluir o sangue terei de tomar durante mais dois meses.

Está mais magro...
Claro! Mas sou optimista. Tenho que reconhecer, como bom português, que tive sorte. Agora não tomo álcool, não como gorduras, bebo imensa água. Por enquanto só posso cheirar os vinhos, sentir o aroma dos queijos e, a seguir, beber um copo de água (risos). A minha alimentação é muito à base de peixe cozido ou grelhado, legumes, pão integral, leite magro. Faz-me bem, estou mais magro, ainda não me pesei mas calculo que terei perdido uns quatro quilos.

E vai mesmo mudar de hábitos, ou daqui a uns tempos esquece-se?
Vou, porque em vez de comer meio leitão, comia um leitão; em vez de beber só vinho tinto, bebia um gin tónico antes da refeição, e depois três ou quatro “baldes” de whisky. Tudo isto vai mudar porque não há de facto necessidade. A vida não pode ser só ócio e prazer. Temos que ter regras na vida. Comecei a correr, a frequentar o ginásio aqui perto.

Sentia o seu comportamento alterado?
Sim, eu até ao meu divórcio, tinha o hábito de fazer dieta de três meses entre Janeiro e Março, em que evitava carne, gorduras e álcool. Desde que me divorciei nunca mais tive estabilidade emocional para fazer isso. Fazia-o para limpar o organismo, e depois estar à vontade o resto do ano. Nos últimos três anos deixei de ter essas regras e, se até aos 44 anos nunca tinha entrado num tribunal, desde então entre N vezes. E acho insuportável como é que a nossa Justiça permite que durante mais de cinco anos, uma pessoa esteja a pagar a um filho que não é dele. Acho isto de uma injustiça! E depois ainda ter que levar com o rótulo de mau pai. A minha vida alterou-se completamente.. A única estabilidade que tive foi no amor, com a Daniela, que sempre me apoiou imenso.

Porque começou a pagar a pensão ao Gabriel?
Porque sou um homem de boa fé. E quando ela (Elisabete) me disse que estava grávida, e que o filho era meu, eu acreditei. De facto, era possível porque tinhamos feito tudo o que se faz para ter um filho, e achei que devia assumir a responsabilidade e disse-lhe, ‘conta comigo’. Só que era uma situação clandestina. Eu era casado e não era fácil chegar ao pé da mulher e contar as coisas. A minha tormenta psicológica começou quando eu pensava como é que um dia mais tarde vou dizer aos meus filhos que tem um irmão, ao meu pai que tem mais um neto.

Quando é que essa história começou?
Há sete anos, com trocas de mensagens. Depois fui enviando dinheiro, ela foi despedida da RTP, pediu-me dinheiro para abrir o salão (porque era cabeleireira), ajudei em tudo o que pude... Mas comecei a sentir que havia qualquer coisa que não batia certo. Comecei a fazer contas... Quis fazer o teste de ADN, um ano depois da criança nascer porque comecei a achar que o filho podia não ser meu.

Alguma vez se sentiu chantageado?
Senti. Nunca abertamente, mas havia sempre aquele “se não fizeres, vou ter de...” Não posso dizer que fui chantageado, mas senti isso algumas vezes. A primeira coisa que fiz quando me divorciei foi pedir o teste. E as consequências foram imediatas. A história foi capa de jornal: “o meu filho é filho do Toy”.

Acha que isso lhe aconteceu por ser o Toy?
Ah sim. Se eu não fosse figura pública e se aparentemente não tivesse uma vida boa, se calhar escolhia outro pai.

Esse episódio teve nada a ver com o fim do seu casamento?
Directamente não. Penso que a mãe dos meus filhos não soube nada do que se estava a passar. Soube depois. Pode ter a ver no sentido em que nos últimos três anos do meu casamento, psicologicamente eu estava afectado por aquilo. Não só no casamento, mas em tudo. Eu tinha um esqueleto no armário.

Mas o processo de divórcio prejudicou-o?
Depois de se saber isto, houve outras retaliações, como é óbvio e normal. Mas essa situação prejudicou-me a todos os níveis: moralmente, psiocologicamente, profissionalmente.

Que relação tem com o Gabriel?
Zero. Quando o conheci ele estava no carrinho de bebé e, depois vi-o no máximo duas vezes. Numa das vezes fui levar dinheiro em mãos e o menino já andava. Teria uns dois anos, ele sorriu, mas mal lhe ouvi a voz. Não me quis aproximar demasiado.

E o seu nome consta como pai na certidão de nascimento?
Sim, enquanto não se reabrir o processo.

Há seis anos que contribui com uma pensão.

Sim, nos primeiros três anos ajudei sempre financeiramente. Depois do meu divórcio, quando começou o processo, parei de contribuir, mas o tribunal, após o primeiro julgamento obrigou-me a pagar 350 euros por mês. A primeira tranche foi um ano inteiro: 4500 euros. E fiquei a pagar 350 euros mensais até vir o resultado do primeiro teste de ADN, que excluia a hipótese de eu ser o pai. Por autorecreação parei de pagar a pensão. Passados dois meses tinha penhoras na Sociedade Portuguesa de Autores, na RTP e na minha conta bancária. E as penhoras mantém-se até hoje porque ela meteu recurso e ainda não houve segundo julgamento. Foi marcado um segundo teste de ADN (já em 2010), o resultado foi igual. O novo julgamento penso que está marcado para Junho. Mas tenho estado um pouco afastado dessa situação...

O Toy e a Daniela pensam ter um filho. Ainda não há novidades?
Continuamos a não usar anticoncepcional, por isso pode acontecer a qualquer momento. Mas estamos na desportiva. Vamos aos treinos todos os dias e, quando acontecer, acontece.

É a altura certa para ter um filho?
Até fazer 50 anos (tenho 47) é a altura certa. Depois é que é mais complicado.

O divórcio, e o caso do Gabriel prejudicou-o muito financeiramente?
Sim, pagava a pensão a essa criança, depois à minha mulher e filha. Mas isso é normal. Perdi muito, mas isso não afecta nada. As coisas materiais recuperam-se. Enquanto eu tiver vida, posso trabalhar, e as coisas recuperam-se. Nunca tive ambições de ser rico. Tenho ambições profissionais. É pena trabalhar a vida inteira e ter de recomeçar de novo. Mas recupera-se.

E profissionalmente?
O público português é especial. As pessoas compreendem. Tenho uma grande comunicabilidade e empatia com o público e as pessoas. Por isso as pessoas compreendem.

Curiosamente com tantos episódios na sua vida provada, nunca trancou a porta da sua vida à Imprensa.
O meu conceito de justiça é tão puro que, no meu entender, se abri a porta uma vez, não posso fechá-la mais, até ao fim da minha vida. Acho que assim é que deve ser e é justo. Se abri para as coisas boas, também tenho que abrir para as coisas más. Mesmo que tenha que levar por tabela.

De tudo o que lhe aconteceu nos últimos quatros anos, o que foi pior?
O mais grave foi o julgamento em praça pública. Senti mesmo que me queriam deitar abaixo. Sem se saber a verdade tomou-se como um facto que aquela criança é meu filho. Imagina que vêm cem mulheres dizer que tem um filho meu.

A Daniela e o Toy ainda pensam fazer festa de casamento?
A Daniela está na casa dos vinte, é uma jovem, e tem direito a essa felicidade. Ela é crente, eu não sou, mas se ela quiser casar pela igreja também temos essa possibilidade. E não é preciso chegar-se ao disparate de anular o meu primeiro casamento como se escreveu. Porque há muitas igrejas! Imagine que caso na igreja protestante, ou na adventista do sétimo dia? Mais não digo, mas antes de se começarem a escrever disparates, as pessoas deviam informar-se.

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