Saúde e Beleza
Primavera

O inferno das alergias

Seg, 04/04/2011 - 16:48

Crises de espirros, comichão e tosse: as alergias são o pesadelo de 35 milhões de europeus. Conheça-as melhor e siga conselhos para as evitar...

Espirros, comichão na garganta, tosse incomodativa, nariz entupido e olhos vermelhos: estamos na época das chamadas alergias primaveris, que afectam homens, mulheres e crianças. Apesar de haver pólenes no ar o ano inteiro, é na Primavera que as concentrações são mais elevadas. Estudos recentes indicam que as alergias têm vindo a aumentar substancialmente nas últimas décadas, com os números a apontar para, na Europa, 24 milhões de pessoas com asma e cerca de 35 milhões com rinite alérgica. Em Portugal, as estatísticas indicam que cerca de dez por cento da população sofre de asma, um número que cresce quando se fala em rinite alérgica, um tipo de alergia que afecta 25 por cento dos portugueses: a mais comum nesta altura do ano depende do tipo de pólen a que se é alérgico, confirmação que deve ser dada pelo seu médico.

“Muitas vezes consideradas como uma falta de defesa do organismo, as alergias são, de facto, uma resposta inadequadamente excessiva de um sistema imune muito reactivo, que não se adapta normalmente a situa­ções a que os indivíduos são habitualmente tolerantes”, conta à NOVA GENTE Mário Morais de Almeida, presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica.

A boa notícia é que há várias formas de tratamento, como revela o especialista: “Medicamentos sintomáticos, para o alívio das queixas, incluindo anti-histamínicos, para o controlo dos sintomas, e broncodilatadores, para o tratamento das queixas de asma, e medicamentos preventivos, anti-inflamatórios, que permitem combater a inflamação e evitar o aparecimento dos sintomas. Para além disto, as vacinas anti-alérgicas são um tratamento específico, dirigido ao alergénico implicado: um método de tratamento que visa modificar a evolução da doença alérgica; por exemplo, em doentes com rinite a pólenes, que têm risco aumentado de vir a desenvolver asma, as vacinas poderão prevenir esta evolução.” O diagnóstico precoce e o tratamento correcto destas doenças alérgicas “significam uma optimização da qualidade de vida, estudo, trabalho, prática de desporto e uma vida social normal”, finaliza.

Doenças alérgicas
Rinite alérgica:
É o tipo de alergia mais comum; traduz­-se na irritação e na inflamação crónicas das mucosa do nariz; afecta cerca de 25 por cento dos portugueses.
Asma: Doença inflamatória crónica das vias aéreas que ataca o sistema respiratório. Não escolhe idades, apesar de ter maior expressão entre os mais jovens, e afecta cerca de 150 milhões de pessoas no Mundo, 600 mil em Portugal.
Conjuntivite alérgica: Inflamação da conjuntiva, a membrana que reveste a face interna das pálpebras e parte da superfície externa do olho. Na maioria das vezes, e entre a maior parte das pessoas, está ligada à rinite alérgica, mas pode ainda ter origem em pessoas que têm contacto com pólenes, pêlos de animais ou vento.
Urticária: Reacção da pele a um medicamento ou a um alimento, que se expressa através de pequenas elevações de cor clara. Estima-se que 80 por cento da população tenha tido em algum momento um episódio de urticária.

Alguns conselhos
Feche as janelas:
Seja em casa ou no carro, feche as janelas e evite a entrada de pólen. O ar condicionado pode ser uma boa opção, desde que tenha o filtro correcto.
Limpe o colchão com frequência: Evite a acumulação de pó e ácaros.
Adopte a moda dos óculos de sol: Para além de serem um objecto que não passa de moda, os óculos de sol vão proteger os seus olhos dos pólens.
Cuidado com as plantas: A formação de bolores e outros alergénios na terra pode desencadear uma crise alérgica.
Mude de roupa: Mal chegue a casa, sacuda a roupa com uma escova e limpe os pés.
Não se esqueça da medicação: Os anti-histamínicos, receitados pelos seu médico, são o grande aliado de quem sofre de alergias. Contudo, tenha cuidado com a sonolência, uma dos efeitos secundários associados.

A reter...
A maioria das alergias são hereditárias, o que significa que passam de pais para filhos: quando alguém é alérgico, um seu descendente directo terá 50 por cento de probabilidade de vir a desenvolver essa alergia; porém, quando ambos os progenitores são alérgicos, a mesma sobe para 75.

Animais ajudam no combate
Os investigadores da Universidade Cincinnatti descobriram que ter um cão pode ser benéfico para prevenir as alergias do seu filho, produzindo melhorias a nível imunitário. Com uma amostra de 636 crianças, a investigação revela que as crianças, cujos testes tinham detectado alergias a cães, quando começaram a viver com estes animais tornaram-se menos propensas de vir a desenvolver certas patologias alérgicas, nomeadamente de pele. Pelo contrário, ter um gato dentro de casa pode causar um aumento da sensibilidade alérgica nas crianças que sofram destes problemas de saúde. Contudo, as que não eram alérgicas não desenvolveram qualquer alergia a estes felinos.

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