Nacional
«Num minuto transformava-se num campo de guerra»

Leandro relata a infância difícil que viveu no «bairro»

Sáb, 21/07/2018 - 14:15

Fruto de uma família de sete irmãos, Leandro cresceu em Chelas

Fruto de uma família de sete irmãos, Leandro cresceu em Chelas e, no Alta Definição deste sábado, dia 21 de julho, o cantor relatou a sua infância difícil.

«No bairro aprendemos a viver. Cheguei a assistir a conflitos entre famílias em que tínhamos de nos esconder com medo de que nos acontecesse algo de mal a nós. Num minuto aquilo transformava-se num campo de guerra», começou por explicar.

Daniel Oliveira perguntou-lhe se tem na memória algum episódio mais complicado. O artista respondeu: 

«Um dia entraram em tiroteio. Todos tinham receio, as mães tinham de estar muito atentas. Até no café. Estavam muito bem no café e desatinavam uns com os outros e aquilo virava um campo de guerra». 

Continuando: «De repente estávamos envolvidos numa guerra de adultos, sem sabermos do que é que se tratava ou como chegar a casa. Corríamos por trás do carros e ficávamos fechados em casa. Graças a Deus nunca correu mal, mas podia ter corrido».

Agora, Leandro já não vive no «bairro», como chama à terra que o viu crescer, mas continua a visitar os irmãos e os amigos que lá vivem. «Os meus irmãos ainda vivem lá, às vezes estou lá com os meus amigos», contou.

«Cheguei a vender à porta do cemitério»

Com a voz embargada, Leandro prosseguiu a conversa falando da avó que jamais esquecerá. O cantor contou que, em criança, chegou a acompanhá-la nas vendas e ajudava sempre que podia.

«Cheguei a vender com ela. A minha avó era uma vendedora. Cheguei a vender lamparinas à porta do cemitério», confessou. A dica «era abordar as pessoas com simpatia. Estava a vender para termos dinheiro para a família toda».

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Visivelmente emocionado, o cantor disse: «O amor que existia entre mim e a minha avó é um amor que jamais existirá na minha vida».

Quando a avó adoeceu, o intérprete não quis acreditar no que viria a acontecer. A avó ainda foi operada à cabeça, mas acabou por morrer. 

«Não a pude nem a quis ver no hospital. Vi-a na urna e tenha a imagem dela, de como ela era.»

Fotos: Impala e reprodução Instagram

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