Nacional
Miguel Sousa Tavares

Critica Ricardo Araújo Pereira e acusa-o de ser «pouco criativo e muito preguiçoso»

Qua, 11/03/2020 - 20:50

Miguel Sousa Tavares critica Ricardo Araújo Pereira e a entrevista que o humorista fez à ministra da Justiça, no programa «Isto É Gozar Com Quem Trabalha», na SIC.

No final do Jornal das 8 desta segunda-feira, dia 9 de março, foram recuperadas as imagens da entrevista de Ricardo Araújo Pereira a Francisca Van Dunem, que foi para o ar na SIC, este domingo no seguimento do Dia Internacional da Mulher. 

Ao humorista da SIC, a ministra revelou que o número de processos pendentes passou de mais de um milhão, em 2015, para pouco mais de 800 mil agora, porque a maior parte dos juízes, procuradores e advogadas são mulheres. No caso concreto dos juízes, a ministra afirmou que nos tribunais de primeira instância há uma maioria de 80% de mulheres mas, segundo o que a TVI apurou, esses números são irreais e a percentagem é mesmo de 68%. 

«O Ricardo Araújo Pereira é muito pouco criativo e muito preguiçoso»

Miguel Sousa Tavares, comentador do Jornal das 8, deu a sua opinião relativamente às declarações da ministra e aproveitou para tecer duras críticas à forma como Ricardo Araújo Pereira conduz as entrevistas na estação rival.

«O Ricardo Araújo Pereira tem um tipo de humor que não tem nada a ver com o de Herman José, por exemplo, que pegava em tipos de portugueses e criava personagens», começou por dizer. «O Ricardo Araújo Pereira é, na minha opinião, muito pouco criativo, muito pouco imaginativo e muito preguiçoso. Ele vive daquilo que eu chamaria babugem do jornalismo. Há vários anos que pega nas notícias que já foram dadas pelos jornalistas e tenta trabalhá-las. Uma das coisas que ele faz é entrevistar políticos».

«Reentrevistar, porque eles já foram entrevistados», corrigiu rapidamente. «E isso tem uma desvantagem, porque ele não é um jornalista. Ontem, na entrevista da Francisca, que é uma pessoa que eu gosto muito pessoalmente e acho que é uma pessoa séria e inteligente, escaparam-lhe duas coisas que não escaparia a um jornalista e que têm alguma gravidade», comentou.

Miguel Sousa Tavares preferiu enumerar as falhas da referida entrevista, rectificando algumas das afirmações que foram ditas em direto: «Uma delas é quando se falou dos juízes do escândalo do Tribunal de Relação. A ministra disse que tinha sido detectado pelo sistema e não é verdade. Foi detectado pelos jornalistas. Se estivéssemos à espera que fosse o próprio Tribunal de Relação ou o Conselho Superou de Administração de Magistratura a dar com aquilo, se calhar esperaríamos eternamente. Foi o jornalismo de investigação que detetou aquilo, nomeadamente aqui na TVI», disse.

«Segunda coisa, quando a ministra diz que há 80% de mulheres juízas na primeira instância, que por acaso vimos que são 70%, mas dentro de pouco tempo haverá 80 e por aí fora, e diz: ‘estamos a ganhar esta batalha’. Ela deveria pensar no que está a dizer, porque se fosse ao contrário, se fosse um homem, era um escândalo», afirmou.

«Isto é grave porque a justiça reflete aquilo que a sociedade pensa. Esse olhar deve ser equilibrado, que tanto é feminino como masculino. Uma justiça ser dominada por um dos sexos é uma coisa preocupante e o ministro da Justiça, seja homem ou mulher, devia estar preocupado com isto e não gabar-se», remata.

Guerra entre Miguel Sousa Tavares e humorista é antiga

Miguel Sousa Tavares e Ricardo Araújo Pereira estão de costas voltadas já há alguns anos. Relembre-se de que em 2010 tanto RAP como José Diogo Quintela, o seu parceiro nos Gato Fedorento, deixaram de escrever crónicas no jornal A Bola e, segundo o editorial escrito pelo diretor Vitor Serpa, Miguel Sousa Tavares esteve no epicentro desta decisão.

«A demissão solidária partiu de Ricardo Araújo Pereira, benfiquista, e, como Quintela, membro da equipa humorística Gato Fedorento. Na crónica censurada por A Bola, José Diogo Quintela respondia a Miguel Sousa Tavares, que, no seu último texto de opinião, escrevera estar ‘farto de viver […] com dois rafeiros atiçados às canelas, dois censores encartados’.

Sousa Tavares, alegava que, nas suas crónicas, os Gato Fedorento o criticavam sistematicamente por ele ter recusado uma ida ao programa Esmiúça os Sufrágios, durante a campanha eleitoral de 2009», referiu Vítor Matos, em 2011, ao jornal Sábado. 

Texto: Inês Borges; Fotos: DR e Arquivo Impala

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