Saúde e Beleza
Educação Infantil

Saiba dizer não

Ter, 14/06/2011 - 14:53

Tempo, dedicação e equilíbrio assumem um papel de destaque na educação de um filho. Um dos maiores receios da maioria dos pais.

Um dos maiores medos da maioria dos pais, mas lembre-se que as crianças não são todas iguais e que os temperamentos de cada uma podem influenciar a forma como as educamos. Ninguém nasce a saber como ensinar outro ser humano, mas, de acordo com Paulo Oom, da Sociedade Portuguesa de Pediatria, há princípios que, seguidos de forma correcta, podem ajudar. No seu livro Não Te Volto a Dizer!, editado pela Matéria-Prima, o especialista dá orientações para o que considera uma disciplina eficaz, instrumento fundamental para ajudar uma criança a crescer. O ambiente em casa, o estímulo dos comportamentos adequados e a eliminação dos inadequados são os pilares.

O que é a disciplina
“Encaramos a disciplina de uma forma positiva, em que 90% é prevenção e 10% correcção. Claro que os castigos têm o seu papel, mas é fundamental que sejam bem aplicados. O objectivo não deve ser a disciplina em si, mas a autodisciplina, que surge quando a criança toma como seus os princípios que os pais lhe ensinam e começa a portar-se bem, mesmo na ausência destes.”

Regras de ouro
A disciplina corresponde a 10% de punição e 90% de prevenção
Ninguém nasce ensinado: os pais precisam de aprender a saber educar e os filhos a comportar-se
A disciplina começa aos dois anos e estende-se à idade adulta
Por vezes, temos de frustrar os nossos filhos
Pai e mãe devem trabalhar em equipa
O objectivo é moldar e não mudar comportamentos
Não é saudável viver exclusivamente para os filhos
A disciplina só se consegue com persistência

Medo de fracassar
Como resposta ao pouco tempo que passam com os filhos, sentem uma maior responsabilidade. “Existe o medo de educar, que se deve fundamentalmente à inexperiência e falta de apoios. As crianças não nascem com livro de instruções e algumas são mesmo mais difíceis. São precisos tempo e dedicação. Este livro é um ponto de partida e pretende servir de guia para orientação dos pais.”

Persistência ganha destaque
Devem estabelecer-se limites. “A consistência é fundamental. A criança precisa de não ter dúvidas sobre o que acontece se se portar de forma incorrecta. Ao contrário do que muitos pais pensam, a existência de limites não representa uma ameaça à personalidade. As crianças sentem-se mais seguras quando estes são aplicados de forma consistente.”

O que nunca fazer?
Bater como forma privilegiada de disciplina: Bater sistematicamente no seu filho pode torná-lo violento e com menos auto-estima, além de lhe estar a transmitir os valores errados.
Humilhar: O objectivo dos pais deve ser corrigir comportamentos e nunca humilhar. Desta forma, estará a atacar o seu carácter.
Retirar afecto ou privar de alimentos: Em momento algum deve retirar algo essencial à saúde do seu filho, nomeadamente alimentos, que são essenciais ao seu bem-estar, e o afecto, imprescindível para a saúde mental.

As bases
Uma educação correcta assenta essencialmente em três pilares: “Um ambiente saudável em casa, saber estimular o bom comportamento da criança e saber terminar de forma correcta os maus comportamentos. No que diz respeito ao ambiente em casa, é fundamental saber ouvir, saber falar e saber agir em relação às crianças, mas, acima de tudo, precisamos de pais que saibam divertir-se com elas. A diversão é o cimento da relação entre pais e filhos.”

O que pode influenciar a educação
Ninguém nasce ensinado. “Muitos de nós educamos os nossos filhos da mesma forma que fomos educados pelos pais. Outros, sabendo bem em que erros os seus pais caíram, procuram actuar de forma diferente. É preciso muito bom senso e é preciso também alguma dose de sorte, pois nós nunca conseguimos controlar tudo o que se passa na vida dos nossos filhos.”

O papel da frustração
Não é uma necessidade, mas “uma inevitabilidade. Em muitas situações, as crianças vão sentir-se frustradas por não poderem ter ou fazer tudo aquilo que desejariam. A interrupção de um mau comportamento representa, para a criança, uma frustração. É mesmo importante definir regras e impor limites se não queremos estar a educar pequenos ditadores. E é a existência destas regras e de estes limites que pode, muitas vezes, frustrar a criança. Mas é para o bem dela”.

Tipos de pais
Pais autoritários: Têm em casa crianças irritadas, ressentidas e em permanente desafio da autoridade.
Pais permissivos: Vão gerar crianças egoístas, para quem as regras são para os outros e nunca para elas próprias.
Pais democráticos: Levam as crianças a gostar mais deles, a admirá-los e a querer estar com eles. São crianças responsáveis e que são treinadas para resolver os seus problemas de uma forma coerente.

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