Saúde e Beleza
Doença Celíaca

Viver com o problema

Ter, 12/04/2011 - 15:32

Trata-se de doença crónica do intestino delgado, reflexo de uma intolerância ao glúten, que afecta 1 a 3% dos portugueses. Apesar das limitações, é possível viver bem com ela. Saiba como.

Caracteriza-se por uma intolerância ao glúten presente na cevada, no trigo, no centeio e na aveia e a doença celíaca condiciona em grande medida quem dela sofre. Ainda que não seja conhecida de muita gente esta patologia afecta cerca de 1 a 3% dos portugueses, estimando-se haver 70 a 100 mil por diagnosticar.

O elevado preço dos alimentos sem glúten disponíveis no mercado ou o facto de não ser fácil encontrar produtos de pastelaria ou menus sem esta proteína fora de casa, são as principais limitações de quem sofre desta doença que obriga a uma dieta rigorosa. A boa notícia é que com o correcto diagnóstico é possível ter qualidade de vida. Rita Jorge, dietista da Associação Portuguesa de Celíacos, falou com a NOVA GENTE sobre a patologia.

O que é?
Presente em indivíduos com predisposição genética, esta doença traduz-se numa intolerância ao glúten, proteína presente em quatro cereais: trigo, centeio, cevada e aveia. “A sua ingestão leva o organismo a desenvolver uma reacção imunológica contra o intestino delgado, provocando lesões na sua mucosa e destruindo as vilosidades intestinais.”

Causas
A origem da doença celíaca (DC) pode estar no cruzamento de três factores: ambientais (introdução prematura do glúten na alimentação), genéticos (componente hereditária) e imunológicos. “Pode aparecer em qualquer idade desde que o glúten já tenha sido introduzido na alimentação, mas o habitual é surgir entre os seis e os 20 meses. Porém, nos últimos anos têm sido diagnosticados casos de doentes sem a sintomatologia habitual e em idades mais avançadas”.

Sintomas
Variam conforme a idade, sendo que dentro de cada faixa etária podem também alternar em frequência e intensidade. “Vómitos, diarreia, alterações de humor e perda de peso” são o mais frequente em crianças, já em adultos são comuns “dores ósseas, depressão, irritabilidade, cansaço crónico e abortos espontâneos.”

Dificuldades de um doente celíaco
Alguns produtos sem glúten, além de serem mais caros apresentam fraca palatabilidade. “Como alternativa, é aconselhável efectuar os próprios produtos em casa para que possa optar por receitas a seu gosto, mais saudáveis e económicas. No entanto, a maior dificuldade é encontrar produtos de pastelaria ou menus sem esta proteína fora de casa”.

Formas de tratamento
Actualmente, o único tratamento conhecido consiste numa dieta isenta em glúten (DIG) que deve ser rigorosa, permanente e realizada de forma equilibrada. “Assim, os alimentos que contêm glúten [pão, pastelaria, massas, rissóis e croquetes, entre outros] devem ser substituídos. É que correctamente cumprida, esta dieta devolve qualidade de vida, não devendo o celíaco alterar o seu quotidiano, vida social ou prática de exercício físico.”

% de afectados a nível nacional
Em Portugal estima-se que a DC afecte “1 a 3% das pessoas. No entanto, existem apenas cerca de oito mil celíacos diagnosticados, o que indica que esta é uma doença largamente subdiagnosticada que merece ser rastreada caso a pessoa tenha alguns dos sintomas referidos. Assim sendo, estima-se que existam entre 70 a 100 mil celíacos por diagnosticar”.

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