Saúde e Beleza
Cancro Do Colo Do útero

Proteja o seu útero

Seg, 23/01/2012 - 16:09

No âmbito da semana europeia de prevenção da doença, entre 23 e 27 de janeiro, saiba tudo sobre a doença que mata uma mulher por dia, em Portugal.

Se já começou a sua vida sexual, as probabilidades de contrair o vírus do papiloma humano (HPV) são elevadas. Este pode ser o primeiro passo para contrair o cancro do colo do útero.

“Estima­-se que cerca de 80% da população teve contacto direto com o vírus”, referiu Vítor Veloso, presidente do Núcleo Regional do Norte, da Liga Portuguesa contra o Cancro. A transmissão do vírus pode acontecer através do toque com pele. “O HPV é muito frequente e a maioria dos adultos terá uma infecção por HPV nalguma fase da sua vida. Como as infecções por HPV não causam sintomas óbvios, a maioria das pessoas nunca irá saber que a teve.” O aconselhamento médico, acompanhado da prevenção, são a chave para um diagnóstico precoce.

Causas e origens
De acordo com o médico, o cancro do colo do útero ocorre quando as células do cólo do útero são infectadas por um ou mais tipos de vírus do papiloma humano (HPV) de alto risco. A infecção faz com que as células fiquem anormais e, lentamente, se transformem num cancro. “Na maior parte dos indivíduos, as infecções por HPV são transitórias e assintomáticas, desaparecendo espontaneamente num período compreendido entre oito meses a dois anos.”

Os sintomas
Quando as células cervicais anormais progridem para cancro do colo do útero, começam a surgir sintomas como:
Hemorragia vaginal após as relações sexuais;
Corrimento vaginal não habitual;
Dor na região genital.
No entanto, estes sintomas podem ser provocados por outras doenças, além do cancro do colo do útero, como a formação de verrugas ou papilomas – em zonas como a vulva, pénis e ânus –, condilomas e papilomatose respiratória (formação de verrugas ao longo das vias respiratórias).

Os diferentes HPV
O HPV pertence à família papillomaviridiae e ao género papillomavirus. Actualmente já se identificaram cerca de 120 tipos virais. São 15 os tipos de HPV de alto risco que podem provocar a doença, ao longo de um período de, aproximadamente, dez a 15 anos. É possível classificar o vírus em:
HPV de alto risco/oncogénicos: HPV 16, 18, 31, 33, 34, entre outros. Os tipos 16 e 18 são de maior potencial oncogénico.
HPV de baixo risco/não oncogénicos: HPV 6, 11, 42, entre outros.

Os fatores de risco
Início precoce da atividade sexual, promiscuidade sexual da mulher ou do parceiro, tabagismo
Qualquer coisa que debilite o sistema imunitário, incluindo infecção por vírus da imunodeficiência humana (VIH) ou quimioterapia.

O tratamento
As células cervicais anormais devem ser removidas, de forma a não haver progressão para cancro do colo do útero. Existem vários métodos de tratamento disponíveis:
Crioterapia: Uma pequena placa de metal é arrefecida até ficar congelada e, depois, colocada no colo do útero para congelar as células anormais. Pode realizar­-se em consultas de ginecologia, em regime ambulatório. Quase não provoca dor e, em regra, não precisa de um anestésico local.
Laser: É usado um laser para aquecer as células anormais, de modo a que estas se evaporem e realiza­-se nas consultas de ginecologia, em regime ambulatório. Recorre­-se a um anestésico local porque provoca dor.
Diatermia com ansa: Envolve o uso de uma pequena ansa metálica, que é aquecida por eletricidade, para remover as células anormais.
Biopsia com cone (conização): Remove as células anormais, cortando, no colo do útero, um fragmento de tecido com a forma de um cone.
Histerectomia: Cirurgia para remover o colo do útero e o útero (histerectomia total).

Como se previne
Através da vacinação (prevenção primária) que, até aos 17 anos, pode ser feita num Centro de Saúde, no âmbito do Programa Nacional de Vacinação (PNV). Além disto, deve realizar, regularmente, a citologia vaginal – vulgarmente chamada de papanicolau. O teste papanicolau deteta a presença de lesões 80% das vezes. Se houver associação do papanicolau com a colposcopia a deteção da lesão ocorrerá em praticamente 100% das vezes.

Os números em Portugal
Em Portugal existem 1000 novos casos, por ano, e afeta 17 em cada 100 mil mulheres portuguesas. Ou seja, oito em cada dez mulheres poderão ser infectadas ao longo da sua vida. É a incidência mais elevada da Europa.
A infecção é frequente nos jovens sexualmente ativos, com particular predomínio entre os 16 e 25 anos.
É o segundo cancro mais frequente na mulher jovem, entre os 15 e os 44 anos, registando­-se cerca de 33 mil novos casos e 15 mil mortes, por ano.

Sabia que
Cerca de 40 tipos de HPV podem infectar os órgãos genitais, quer do homem, quer da mulher?

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