Saúde e Beleza
álcool

Com regras

Seg, 02/01/2012 - 16:01

A passagem de ano encerra um ciclo de festas, mas a bebida não deve acabar com a sua alegria. Conheça os perigos e as consequências do álcool em excesso.

Depois do Natal, nada melhor do que um réveillon de arromba. O problema, como o hepatologista Rui Tato Marinho contou à NOVA GENTE, é o que poderá surgir com uns copos a mais. “Um jovem com coma alcoólico tem um risco mais elevado de vir a ter morte súbita, em cerca de 10 por cento.” Porém, um homem elimina melhor o álcool do organismo, por ter mais quantidade de uma enzima chamada álcool desidrogenase.

Quem corre mais riscos ao volante?
O homem liberta mais facilmente o álcool do sangue, por ter maior quantidade de uma enzima (álcool desidrogenase). A mulher tem menor resistência aos efeitos das bebidas, mas ao volante é mais segura. Em regra, se um homem beber dois copos e for conduzir, o risco de morrer duplica em relação à mulher. Dados que se explicam também por uma herança comportamental: “Os rapazes precisam de mostrar aos amigos que conseguem arriscar na estrada.”

Os efeitos
A longo prazo, quem bebe poderá vir a ser portador de uma cirrose, especialmente quem já sofre a priori de hepatite B. Poderá também ser uma hepatite alcoólica a causadora de uma cirrose, doença difícil de diagnosticar. Neste caso, com o tempo, os olhos ficam amarelos, forma-se uma barriga de água e vomita-se sangue.

O que é o Binge?
Refere-se a um tipo de dependência alcoólica, no qual se bebe muito álcool em pouco tempo. “Quando um homem ingere mais de cinco bebidas em duas horas” (ou mais de quatro bebidas, no caso das mulheres), sofre de binge alcoólico. A médio prazo, o paciente poderá vir a ter um coma alcoólico, que aumenta o risco de morte.

Como acontece o coma alcoólico
Com um quadro de dependência alcoólica ou perante uma ocasião em que há um consumo exacerbado de bebidas, os sintomas são fáceis de detetar. Primeiro, a pessoa fica embriagada (visivelmente mais desinibida), ao mesmo tempo que se dá a alteração da coordenação motora. Quando os níveis de álcool no sangue são muito elevados, a pessoa perde a consciência e entra em coma. Sucedem-se vómitos, uma depressão do centro respiratório e arritmias cardíacas.

O retrato do alcoólico português
De acordo com o especialista, no universo de 600 mil alcoólicos, homens e mulheres têm motivos e comportamentos diferentes para se tornarem alcoólico dependentes;
O alcoólico masculino tem à volta de 55 anos, começou a beber aos 13, está desempregado e tem problemas familiares graves. Na maior parte das vezes, acabou de se divorciar e sente-se muito dependente da antiga parceira. Apesar de ter consciência dos perigos do vício que sofre, recusa-se a deixá-lo;
A mulher alcoólica não assume a sua dependência. Bebe às escondidas de todos e, em muitos casos, até começou o vício mais cedo do que o homem. Os problemas laborais pesam na adição;
Para desintoxicar um alcoólico, é preciso tempo e paciência, segundo o hepatologista. “Se, de um momento para o outro, um alcoólico deixar de beber, pode tremer muito, ficar inconsciente e ter alucinações... Para ultrapassar esta dependência, é necessário fazer terapia com um psicólogo ou um psiquiatra.”

Saiba ainda que...
Para além de álcool em excesso, certas substâncias, como o ecstasy e a cocaína, facilitam o mau funcionamento do ritmo do coração.
Se uma rapariga jovem, que não esteja habituada a ingerir álcool, beber dez shots, o risco de vir a ter coma alcoólico varia entre os 10 a 15% e o de ter relações sexuais com quem não se conhece é de 20%.

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