Saúde e Beleza
5 De Junho Dia Mundial Do Ambiente

Por quê reciclar?

Seg, 06/06/2011 - 10:50

Esta edição da sua revista é verde, mas por quê? A NOVA GENTE e a Sociedade Ponto Verde explicam-lhe tudo o que quer saber sobre reciclagem.

"Dois terços dos lares portugueses fazem reciclagem”, e isso é um motivo de or- gulho para Mário Raposo, director de marketing da Sociedade Ponto Verde. Mas não sabe se há-de considerar a garrafa “meio cheia ou meio vazia”. É que isto significa também: “Ainda falta que um terço das famílias nacionais introduzam esta prática no seu quotidiano.” Pode dizer-se, a esses renitentes milhões, que existem vantagens directas, ainda que não as vejam. Os benefícios são inúmeros, para o Planeta, e para a zona onde vive cada um de nós. Por exemplo, garante-se um maior tempo de vida aos aterros sanitários. E é claro que precisamos de espaço no nosso país e região... que não seja para pôr lixo, mas para viver. Nenhum de nós gosta de ver resíduos à sua volta.

Ao reciclar uma embalagem, asseguramos que a sua matéria é reaproveitada: “Isso é especialmente visível no caso do vidro. Um quilo de garrafas recicladas dá um quilo de garrafas novas. 1,2 quilos de vidro virgem, não reciclado, só dá um quilo de garrafas novas.” Ou seja, poupa-se duplamente em matéria-prima. “E quando se fala de alumínio, estas percentagens ainda são muito mais impressionantes.” Um colar de ouro que se parte não se deita fora... “Refunde-se, para termos uma nova peça de ouro.” O alumínio, o aço, o vidro e o plástico também têm valor, embora menos, compara. E o responsável acrescenta logo outra comparação... Para reciclar uma garrafa de vidro “gasta-se menos energia” do que para produzir uma de origem. E, assim, emite-se menos dióxido de carbono.

O maior motivo de orgulho da Sociedade Ponto Verde são... as crianças. “Elas já incorporaram os princípios da reciclagem na sua educação. São uma grande esperança. Porque já não vão precisar de ser sensibilizadas, para reciclarem, no futuro, nas suas casas.” Na União Europeia (UE) alargada, estamos a meio do top da reciclagem e a cumprir rigorosamente as metas que a mesma UE nos colocou. Tínhamos que reciclar 55 por cento das nossas embalagens este ano, e “já o fizemos em 2010”.

Mário Raposo destaca o trabalho da Sociedade Ponto Verde e elogia a actividade da população, a começar pelos professores. Valoriza os currículos escolares – e aquilo que os docentes fazem fora dos programas. “Agradecemos às escolas e a quem dá aulas.” O director antevê um futuro em que não haverá campanhas de divulgação da reciclagem... já não vão ser necessárias. Igualmente bem têm trabalhado as câmaras e juntas de freguesia: “Umas com o nosso apoio, outras sem precisarem dele. Têm feito um esforço notável de sensibilização.

Que podem fazer os leitores da Edição Verde da NOVA GENTE, já hoje? “Toda a gente conhece ‘aquele’ amigo que não pratica a reciclagem. Os que já a fazem têm mais esta tarefa a cumprir: trazer, para o mundo dos que reciclam, aqueles que ainda não estão lá.”

É fácil ter uma família ecológica

Como estruturar as coisas lá em casa? Simples
1 - Crie um cantinho do lar só para a reciclagem. O seu pequeno ecoponto doméstico
2 - Designe um responsável pela verificação da correcta separação dos objectos por cores. Se possível, o mais novo da família
3 - Defina uma escala semanal de ida ao ecoponto para depositar os materiais

Nas empresas é possível mudar
A empresa que edita a revista ecológica que está a ler é, também ela, convicta defensora da reciclagem. É muito simples. Há já algum tempo que os caixotes do lixo existentes junto à secretária de cada funcionário passaram a ser diferentes. Dentro de cada um destes pequenos cestos, há, não apenas um... mas dois sacos, um de cada lado, um de cada cor. Um para plásticos, outro para papéis. É uma prática muito fácil de levar a cabo, e com custos mínimos. Qualquer empresa pode adoptá-la. Os empresários podem começar já.

E os turistas? como se comportam?
Mário Raposo distingue dois tipos de turistas. Os portugueses e os estrangeiros. Os nacionais portam-se bem durante o ano... Quando chegam às férias, esquecem-se da separação e reciclagem das embalagens e objectos. Os de fora, por vezes até são bem mais civilizados que nós (ingleses, alemães...). O problema é que as regras e formas de separação diferem de nação para nação. Assim, quando chegam cá não conhecem as nossas normas. A maioria dos hotéis (e “os aparthotéis ainda mais”) não tem, nem de longe, esta preocupação.

Roupa que sabemos de onde vem
Há um novo conceito. Tem algo de consciência ambiental e quase que lembra os processos de apadrinhamento. O artesão Kavita Parmar tece dois metros de pano na Índia e dá-lhes o seu apelido... Mais tarde, esse tecido chega a Itália, onde será utilizado para fazer camisas. O fabricante junta, nas peças, o seu nome ao de Parmar. Cada um destes objectos de vestuário será único, com a sua marca dupla, que certifica a sua origem. Esta ideia inovadora já está a ser posta em prática, com as peças a serem revendidas em sites e blogues, pela Internet fora. Para saber tudo, vá a iouproject.com. A ideia nasceu a 10 de Maio, e já há 87 pessoas que se tornaram redistribuidores destas roupas.

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