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O dia que mudou o mundo foi há 15 anos

11 Setembro 2001

Qua, 31/08/2016 - 17:25

Uma década e meia depois, ainda parece inacreditável o que aconteceu. As imagens daquela manhã parecem retiradas de uma produção de Hollywood. Nova Iorque, Washington e a Pensilvânia foram palco dos maiores ataques que a América sofreu desde Pearl Harbour. Não há quem não se lembre do que estava a fazer naquela manhã... E muitos são os famosos com histórias incríveis, ligadas àquele dia.

Onde é que estava no dia 11 de setembro? Esta é uma pergunta frequente – principalmente nos Estados Unidos da América – após o ano de 2001. Mais do que quatro ataques, este dia foi vivido em todo o Mundo em direto. O planeta tremeu, sofreu e chorou com a tragédia americana. Foi apenas mais um dia na História. Mas um dos poucos que mudou o Mundo. Começou cedo, quando na costa leste as pessoas se preparavam para dar início aos seus dias no local de trabalho, ou ainda se encontravam nos transportes públicos, a caminho dos empregos. Houve até quem, justamente naquela manhã, se tenha atrasado e “perdido” o rebuliço fatal para quase três mil pessoas. Às 8h46 da manhã, um avião da América Airlines, vindo de Boston e com destino a Los Angeles, embateu contra a Torre Norte do World Trade Center. Foi o início de duas horas de terror vividas na única superpotência mundial, os Estados Unidos da América. Às 10h28 colapsava a Torre Norte, 29 minutos após a derrocada da primeira e 25 depois de um avião da United Airlines, que ia de Newark para São Francisco, se despenhar em Shanksville, na Pensilvânia. Contas feitas, naquele dia quatro aviões caíram em solo norte-americano: dois contra as Torres Gémeas, em Nova Iorque, um no Pentágono e um outro – as investigações viriam a concluir que pretendia atingir o Capitólio – que acabou por cair num campo aberto, após os passageiros tentarem demover os terroristas. De toda a tragédia, o que mais ficou na memória foi, sem dúvida, o que aconteceu nas Torres Gémeas. Na altura, eram dos edifícios mais altos do mundo e nada fazia prever que algo pudesse deitá-las abaixo. Até porque ninguém jamais imaginara que, mais poderoso do que uma forte bomba, seria um avião carregado de combustível embater, a toda a velocidade, contra aquelas estruturas. Mas foi o que aconteceu.

Em 102 minutos, os dois edifícios caíram com tudo o que tinham no interior. Pessoas incluídas. Quem não conseguiu sair a tempo ficou lá para sempre.  Em direto, através da CNN, o mundo viu indivíduos, nos andares acima do embate, a cair. Outros, sem aguentarem o fumo e as altas temperaturas, acabaram por escolher atirar-se, a morrerem carbonizados. A empresa Cantor Fistzgerald, que ocupava os andares superiores de uma das Torres, perdeu 658 dos 960 funcionários que tinha. 

Contudo, houve histórias cujo drama acabou por ser superado. Omar Eduardo Rivera, por exemplo, é cego e trabalhava no 71.º andar de uma torre. Andava sempre acompanhado por um cão-guia, o Dorado. Após o embate, Rivera viu-se impossibilitado de conseguir sair do edifício e optou por soltar o fiel amigo, para que tentasse fugir e salvar-se. O cão acabou por ser arrastado pela multidão de pessoas que descia em pânico as escadas. Minutos depois, Rivera sentiu, entre as pernas, novamente o cachorro. Uma hora depois, com a ajuda de Dorado e de mais um colega, conseguiu escapar do edifício. Momentos depois, a Torre caiu. No edifício do lado norte, Pasquale Buzzeli, engenheiro de estruturas, estava no seu escritório, no 64.º andar, quando se deu o embate.  Falou com a mulher, que estava grávida, várias vezes antes de dar início à evacuação do edifício. Uma decisão que só tomou momentos após a Torre Sul ter colapsado. Foi então que percebeu que tinha de sair rapidamente do edifício que iria ter, certamente, o mesmo destino. E não se enganou. Quando ia no 22.º andar, começou a ouvir o barulho ensurdecedor dos pisos a caírem uns sobre os outros e pressentiu o pior. Não teve dúvidas de que iria morrer. Aninhou-se num canto das escadas e o edifício de 110 andares caiu completamente.

Surpreendentemente, Pasquale sobreviveu. Horas depois, acordou ao ar livre, deitado num monte de detritos com uma altura equivalente a sete pisos. Os bombeiros que o resgataram divulgaram de imediato a sua história, mas Pasquale não falou e a sua experiência demorou a ser confirmada. Tornou-se um mito: o “surfista do 11 de Setembro”. Passaram 11 anos até Pasquale conseguir recuperar do stress pós-traumático e da síndrome de culpa por ter sobrevivido. Só então decidiu contar a sua experiência, através de um documentário e de um livro, onde expôs todos os pormenores vividos naquele dia. “Estava no 22.º andar da escadaria B. O que fiz foi uma espécie de surf. O mesmo que sucede, apesar de eu nunca o ter feito, quando alguém se atira de um avião. Quando acordei vi o azul do céu. Pisquei os olhos e pensei que tinha morrido. Depois, comecei a tossir e a ter dores e percebi que não. Nem queria  acreditar! O edifício tinha desaparecido totalmente (...) pelo que li, só sobrevivi devido a uma bolsa de ar. Sou engenheiro e acredito na ciência e em factos. Passei pela experiência e sei como foi. Aconteceu mesmo e foi comigo. Se não me tivesse acontecido, e alguém me contasse, provavelmente também seria cético em relação ao assunto”, afirmou.

Texto: Lídia Belourico (lidia.belourico@impala.pt); Fotos: Impala e D.R.