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Gripe

Está de volta e mais forte

Qua, 18/01/2017 - 21:15

A Direção-Geral de Saúde já informou que a gripe de 2016/2017 é mais intensa do que o normal e que o pico irá fazer-se sentir nos próximos dias. Saiba a que sintomas deve estar atento e as diferenças entre uma gripe comum e a gripe A. E, caso se sinta doente, não corra logo para o hospital.

Doença viral que não deve menosprezar

Nariz entupido, febre, arrepios de frio, dores de garganta e um mal-estar que não nos deixa levantar da cama. Sim, falamos da gripe, uma doença sazonal, comum no outono e no inverno, e que por vezes é menosprezada e “chutada para canto” com a frase: “É só uma constipação. Isto passa!” A verdade é que pode ser mais do que isso. Muito mais. As gripes estão cada vez mais fortes e a deste ano (de acordo com a Direção-Geral de Saúde) prevê-se que chegue com maior intensidade, logo, a requerer cuidados redobrados. Segundo o último Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe, na última semana de dezembro registaram-se 113 pessoas infetadas por cada 100 mil habitantes. O pico da gripe acontece entre a primeira e a segunda semana de janeiro, ou seja, nos próximos dias devemos estar atentos a todos os sintomas. Numa pessoa saudável, pode desaparecer sem tratamento especializado e sem deixar mazelas, mas há grupos de risco, assim como casos supostamente mal diagnosticados e que têm deixado a população assustada (ler coluna à direita e na última página). Pelo sim, pelo não, há dicas que deve ter em conta se ainda não foi “apanhado” por esta doença viral e outras a seguir se estiver a ler-nos “enrolado” no edredão. Sem alarme, tome conta de si e não corra para o hospital.

O que é?

A gripe é uma doença aguda viral que afeta predominantemente o trato respiratório (nariz, seios nasais, garganta, pulmões e ouvidos).

Como se transmite:

O vírus é transmitido através de partículas de saliva de uma pessoa infetada, expelidas sobretudo através da respiração, da fala, da tosse e dos espirros, mas também por contacto direto com partes do corpo ou superfícies contaminadas (por exemplo, através das mãos).

Período de incubação:

O período de incubação é o tempo que decorre entre o momento em que uma pessoa é infetada e o aparecimento dos primeiros sintomas. Geralmente, são dois dias, mas pode variar entre um e cinco dias.

Período de contágio:

Um a dois dias antes do início dos sintomas e vai até sete dias depois. Nas crianças, este período pode ser maior.

Sintomas

Nos adultos:

➜ Febre alta

➜ Arrepios

➜ Dores de cabeça

➜ Dores musculares e articulares

➜ Garganta inflamada

➜ Nariz entupido

➜ Tosse seca

➜ Inflamação dos olhos

Nas crianças:

Bebés:

➜ Febre

➜ Prostração

➜ Náuseas, vómitos e diarreia

➜ Laringite e bronquiolite

➜ Otite (no grupo etário até aos três anos)

P.S.: Em crianças mais velhas, os sintomas são semelhantes aos do adulto.

A gripe e a constipação são a mesma doença?

Não. Os vírus que as causam são diferentes e, ao contrário da gripe, os sintomas/sinais da constipação são limitados às vias respiratórias superiores: nariz entupido, espirros, olhos húmidos, irritação da garganta e dor de cabeça. Raramente ocorre febre alta ou dores no corpo. Os sintomas e sinais da constipação surgem de forma gradual, enquanto na gripe há o aparecimento súbito de febre e tosse.

Como parar a disseminação:

➜ Fique em casa e restrinja os contactos sociais

➜ Use máscara, respeite a etiqueta da tosse (tussa e espirre para o cotovelo)

➜ Lave as mãos muitas vezes, sobretudo depois de se assoar. Use lenços de papel descartáveis e atire-os para o lixo a cada utilização.

Qual o tratamento:

➜ Beba muitos líquidos (água e sumos, de preferência sem açúcar)

➜ Tome paracetamol para a febre e dores (ou aspirina para os adultos)

➜ Para a obstrução nasal, use soro fisiológico

➜ Não tome antibióticos porque não atuam nas doenças virais, não melhoram os sintomas nem aceleram a cura. Em alguns casos, como os doentes de risco, pode ser necessário recorrer a um antiviral. apenas e sob estrita recomendação do médico

➜ Se está grávida ou amamenta, não tome medicamentos sem falar com o seu médico

➜ Se viver sozinho, especialmente se for idoso, peça a alguém que lhe telefone regularmente para saber como está

➜ Vá ao serviço de urgência, se estritamente necessário.

Não se dirija ao hospital!

Na gripe sem complicações, a doença aguda geralmente resolve-se ao fim de cerca de cinco dias e a maioria dos doentes recupera em uma a duas semanas. Porém, em algumas pessoas, os sintomas de fadiga podem persistir durante várias semanas. A Direção-Geral de Saúde recomenda a todos os que se sintam engripados que não corram para o hospital, um local onde se aglomera muita gente. Se estiver doente, pode infetar os outros doentes, e se não estiver, pode acabar por contrair uma gripe devido a alguém que lá esteja. Antes de sair de casa, procure aconselhar-se através da Linha Saúde Pública (808 211 311) ou através da Linha Saúde 24 (808 24 24 00). Tome nota das diferenças entre uma gripe comum e a gripe A e nunca se esqueça de referir se viajou nos últimos tempos, já que, em vez de gripe, pode, eventualmente, tratar-se de malária (como os casos que relembramos ).

A lutar pela vida devido a uma gripe A mal curada

Chama-se Marta d’Orey, tem 19 anos e está a sensibilizar os portugueses pela forma positiva com que está a encarar a doença – a gripe – que a “apanhou”. Marta, natural de Cascais, terá contraído gripe A há cerca de cinco meses, quando estava em Londres. A doença terá sido mal curada e degenerou numa bronquiolite obliterante pós-infecciosa, que faz com que a “rapariga furacão” – como é conhecida entre os mais próximos – viva dependente de uma bomba de oxigénio. Marta d’Orey perdeu quase 90% da função respiratória e, neste momento, está a receber tratamento especializado, antes de os médicos partirem para a decisão de a submeter a um transplante pulmonar. Estudante de Marketing e Publicidade no IADE, em Lisboa, a jovem é apaixonada por fotografia e escrita e deixa rendidos todos os que a leem. “Se tenho dores camuflam-nas com medicação. Se me falta o ar, dão corda na manivela que dá gás ao oxigénio. Se tenho dúvidas, traduzem a medicina para português, e se não têm resposta procuram-na em todos os cantos do meu corpo até a saberem da ponta da língua”, diz a jovem.

Quando a malária é confundida com gripe

Pedro Ramalho e Paula Nabais: O assistente de bordo morreu vítima de malária. Paula Nabais esteve nos Cuidados Intensivos

Gripes mal curadas, mas também gripes que não são gripes e que acabam por fazer vítimas ou deixar mazelas. Nas últimas semanas, são várias as histórias que têm surgido de diagnósticos errados. Pedro Ramalho, de 27 anos, perdeu a vida no dia de Natal, vítima de malária cerebral, que contraiu durante uma viagem de trabalho, entre 4 e 6 de dezembro, a São Tomé, com escala em Acra, no Gana. O comissário de bordo adoeceu, com febre, dores de cabeça e vómitos, e terá sido visto por um médico da empresa que presta serviços à TAP, que diagnosticou-lhe uma gripe. Não era gripe e Pedro não resistiu. A companhia aérea já levantou um inquérito para apurar tudo o que aconteceu. Também Paula Nabais contraiu malária que quase foi confundida com uma simples gripe. Tinha chegado de Angola quando começou a ter sintomas parecidos com os de uma gripe. Como era conhecedora da doença, ligou para a Linha Saúde 24 e, quando lhe disseram que estava com uma simples gripe, Paula insistiu que havia feito uma viagem para um destino endémico e que podia tratar-se de malária. Foi hospitalizada, fez o teste e o resultado deu positivo. A empresária esteve três dias internada nos Cuidados Intensivos e recupera agora em casa.

Previna-se antes que a gripe chegue

Vacina e outros cuidados

➜ A vacina para a gripe é fundamental, a partir de outubro de cada ano, principalmente para as pessoas pertencentes a grupos de risco, como os idosos

➜ Lavagem frequente das mãos com água e sabão (ou toalhetes)

➜ Quando espirrar ou tossir, proteja a boca com lenço de papel ou com o antebraço (não use as mãos)

➜ Evite mudanças de temperatura e não se agasalhe demasiado.

Faça ginástica e ioga

➜ Bastam 30 minutos por dia, a caminhar, a subir escadas ou a nadar, para eliminar as toxinas, aumentando a circulação sanguínea e fortalecendo a musculatura

➜ Praticar atividades de relaxamento, como o ioga, também funciona como uma forma de lutar contra as infeções características do inverno, além de aliviar o stress e proporcionar uma noite bem dormida.

Grupos de risco

➜ Os indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos e as pessoas com patologia crónica subjacente que apresentam maior morbilidade e letalidade, por agravamento da doença preexistente e/ou pneumonia

➜ As crianças também são muito suscetíveis

➜ Profissionais da saúde.

Abra as janelas de casa

O ar livre está menos poluído do que o que corre dentro no nosso apartamento. Para renovar o ar, ventile a casa todos os dias, durante dez minutos. Além disso, é essencial não deixar que as divisões fiquem sobreaquecidas durante o inverno. É verdade que o frio leva a que nos apeteça ficar no sofá junto ao aquecedor, mas isso pode ser um convite ao vírus. Uma passagem repentina de um ambiente frio para um quente torna as mucosas nasais mais sensíveis às infeções.

Não fume

Os fumadores têm mais probabilidades de contrair uma infeção. Fumar baixa as defesas do aparelho respiratório e isso pode ser o suficiente para deixar entrar o vírus da gripe. Também as pessoas que convivem habitualmente com fumadores são vulneráveis, pois estão expostas ao fumo e acabam, também elas, por irritar os tecidos respiratórios. Se este é o seu caso, evite ambientes com atmosferas carregadas de fumo de tabaco.

Texto: NEUZA GOMES (neuza.gomes@impala.pt) | Fotos: SHUTTERSTOCK e D.R.


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